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Pusemo-nos à estrada e começamos a organizar a nossa estadia pelo Algarve. Pelos posts que íamos vendo no Instagram e pelas dicas da malta, tínhamos nas nossas notas em letras garrafais : PRAIA DA LAGOA. Não restavam grandes dúvidas, parecia-nos o local perfeito para a primeira paragem algarvia. Chegámos lá já de noite, o acesso à praia é feito por uma estrada sem iluminação, em terra batida, parecia que estávamos a entrar numa floresta, tal era a quantidade de árvores de um lado e doutro. Ambos conhecíamos a Quarteira, mas não sabíamos que lá havia uma lagoa. Percorremos o caminho com pouca visibilidade, sempre com a lagoa a acompanhar-nos e lá fomos dar à famosa praia. Ouvíamos o mar mas não o conseguíamos ver. Com ajuda de lanternas, estacionamos a pingu de forma a que ao acordar tivéssemos uma vista sobre a praia. Estávamos super ansiosos pelo amanhecer para percebermos o que nos rodeava. E, bem cedo, os raios de sol entraram pela carrinha adentro, e quando afastamos as cortinas tivemos uma visão incrível: estávamos a escassos metros do mar, literalmente em cima da praia e havia pessoas a cavalo a passear na areia. Bem, parecia uma cena de filme.

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Saltamos da cama e começamos imediatamente a montar o estaminé todo, queríamos aproveitar tudo ao máximo. Não conseguíamos parar de repetir: “que spot incrível…que lugar maravilhoso…isto é um sonho”. Bem, foram 3 dias, duas noites maravilhosas! Acordávamos, íamos dar um mergulho, caminhar pela praia, fazíamos as refeições sempre sentados na areia e à tarde deitávamo-nos na cama de rede a ler um livro ou a relaxar. Depois do primeiro dia assim, não queríamos sair de lá, pelo que decidimos ficar mais uma noite. Tudo nos pareceu perfeito ali, não tínhamos aparentemente razão para sair. Mas, eis que ao terceiro dia, o nível das águas da Pingu estavam no mínimo, e tivemos mesmo que seguir caminho. Queríamos ter ficado mais, no entanto alegrava-nos o facto de ainda termos muita costa para bater.

No caminho, pela estrada nacional, não encontramos nenhuma estação de serviço com mangueira, pelo que tivemos que optar por outra solução. Parámos junto a uma casa, onde vimos uma senhora no quintal e simpaticamente perguntamos-lhe se podíamos usar a sua mangueira. Obviamente que a senhora ficou surpreendida, mas acabou por nos ceder a mangueira para enchermos as águas da pingu, os garrafões e o chuveiro. Estávamos então abastecidos para mais uns dias…

Depois de consultar a aplicação Park4night, vimos que havia umas zonas interessantes perto da praia dos Arrifes. Seguimos então para lá e estacionamos exactamente entre a Praia dos Arrifes e São Rafael. O spot parecia-nos incrível, uma vista lindíssima, aquelas falésias características daquela zona, havia lá mais vans, tinha até balneários para tomar banho, por 1eur… Contudo, depois de nos instalarmos e pegarmos na nossa cerveja para assistirmos ao sunset … começamos a ver umas criaturas a passar la fora: Ratos! Não ficámos muito confortáveis, mas já era tarde para mudarmos de pouso, por isso optamos por ali ficar e arrancar pela manhã.

Já tínhamos estado na Praia de Benagil, mas queríamos lá voltar, por isso dirigimo-nos para lá. Lembrávamo-nos que o estacionamento era difícil, então pesquisamos um sitio mais afastado para deixar a Pingu. A aplicação indicava-nos um local mesmo em cima duma falésia, com uma vista incrível, o que poderia ser também uma boa hipótese para pernoitar. Bem, mal sabíamos o que nos esperava…um caminho completamente acidentado, em terra batida, havia alturas que eu tinha que sair da carrinha para ver se dava para passar. Mas como se costuma dizer, caminhos difíceis levam a lugares incríveis…

Ali passava imensa gente a pé vinda de várias direcções, então percebemos que havia caminhos traçados nas falésias com ligações às várias praias. Tomamos o sentido da praia de Benagil e fomos ter exactamente onde queríamos, ao orifício da (famosa!) gruta que nos permitia vê-la de cima. Já tínhamos ido lá dentro, de canoa (alugada na praia), mas nunca tínhamos tido a perspectiva superior. Todo o caminho até lá é lindíssimo, com grandes escarpas, a cor da água é incrível, a vista é linda, mas sem dúvida que a cereja no topo do bolo é o panorama interior da gruta.

É uma praia super concorrida, muito mediática pelas suas grutas, tem sido bastante publicitada nas redes sociais, pelo que arranjar lugar para estender a toalha é cada vez mais uma tarefa árdua. Ainda assim, tentamos a nossa sorte e fomos dar um mergulho. Sentamo-nos na areia a apreciar o frenesim de barcos (1 adulto, 15 eur – 30min) , kayaks (Duplo – 45 Min.30.00€), pranchas de SUP (45 Min – 30.00€) e mesmo corajosos a nado, que vão visitar as grutas. É realmente uma praia com demasiada vida para o tamanho que tem e as pessoas atropelam-se. Ainda assim, vale bem a visita. Um ponto muito positivo desta praia: chuveiro de água doce, por isso à saída tomamos o nosso banho e estávamos prontos para ir jantar.

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Decidimos não ficar naquele local onde estava a pingu estacionada porque apesar de ser muito bonito era um pouco afastado de tudo e não havia mais vans por lá. Nem sempre nem nunca, mas também gostamos de ir jantar fora e conhecer a gastronomia dos locais onde vamos parando, por isso o famoso frango da guia mereceu a nossa visita.

Dali fomos dormir junto à Praia dos 3 Irmãos, numa área aberta junto a um restaurante. Uma zona super sossegada, tínhamos apenas uma van ao nosso lado. De manhã, para variar, foi só caminhar 50 metros e lá estávamos nos com os pés em cima da areia. Uma praia ampla, muito bonita, com umas rochas no meio do mar que a tornavam ainda mais diferente de todas as outras praias.

Estávamos no dia 9 de Setembro e fazíamos um ano de casados. Algo melhor do que um dia de praia fantástico para celebrar?

Começamos com uma caminhada pela areia e quanto mais andávamos mais praias incríveis íamos descobrindo. Passamos pela Praia da Prainha e ficamos apaixonados. Uma praia mais pequena, muito pouco areal e uma encosta lindíssima. Ficamos por ali…uma manhã de praia fantástica, ideal para marcar aquele dia tão especial.

Mal sabíamos nós que as coisas iam piorar. Chegamos à Pingu para fazer o almoço e …O GÁS TINHA ACABADO! E então ? Trocam a botija. Não, a Pingu é a GPL. Então passam numa bomba e atestam. Até agora nunca precisamos de carregar porque quando a compramos o deposito estava cheio. Sabíamos que iríamos precisar de um adaptador para abastecer, mas fomos sempre deixando andar. Até que aconteceu…andamos de bomba em bomba atrás de um adaptador e NADA. Fomos a uma oficina ver se nos ajudavam a resolver a situação e nada! Até que muito tempo depois lá conseguimos desencantar uma bomba que tinha o famoso adaptador que nos permitia atestar a Pingu de gás. Não ter gás significa não poder cozinhar no fogão e o frigorífico não funcionar. E feito isto…passaram-se horas do nosso dia, com um almoço no MacDonald’s (não idealizávamos este menu neste dia)! Por isso, um conselho: não adiem este tipo de coisas, previnam-se sempre! Contudo, era um dia muito especial e tínhamos que celebrar verdadeiramente. Por isso fomos ver o pôr-do-sol ao No Solo Água em Portimão. Que delicia, repousar depois de um dia stressante, com boa comida, boa bebida, musica top e um ambiente altamente.

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Mas não ficamos por ai…para finalizar fomos jantar a um restaurante de sushi. Agora sim, o nosso dia estava completo. Pernoitamos no centro de Portimão, num parque de estacionamento, pois já era muito tarde para nos deslocarmos para a próxima paragem.

Somos apaixonados por Lagos, uma zona super tranquila, com praias lindas e paradisíacas. Praia do Camilo foi a praia escolhida. Uma praia com muito pouco areal, abrigada do vento e encantadora. O estacionamento não é fácil, mas aconselhamos sempre a chegarem bem cedo. Vale mesmo a pena.

Foi sem duvida dos sunsets mais bonitos que assistimos e que mais nos marcaram.

Que dia maravilhoso de praia, água super clara, bons mergulhos, mas a cereja no topo do bolo foi o sunset. A 500 metros dali existe o Farol da Ponta da Piedade e nós fomos até la para ver o sol a pôr-se. Com uma cerveja na mão sentamo-nos na encosta e quando demos por ela havia dezenas de pessoas na mesma situação que nós. Quando o sol atinge a linha do horizonte, arrepiamo-nos…A malta começa a bater palmas, como se do desfecho de um filme incrível se tratasse.

Foi sem duvida dos sunsets mais bonitos que assistimos e que mais nos marcaram. Se forem para aqueles lados não percam este momento. Queríamos ficar por ali, mas havia uma placa a indicar que não era permitido autocaravanas durante a noite e por isso tivemos que nos pôr ao caminho.

Praia de Porto de Mós, com um descampado, em terra batida, tinha mais autocaravanas lá, wc público, ou seja o ideal. Esta praia já era maior, com um areal mais extenso, o mar mais aberto, tínhamos as condições perfeitas para fazer surf. E assim foi, as primeiras ondas algarvias foram apanhadas em Porto de Mós. Esta praia, além do dia de surf, marcou-nos pela quantidade de mariolas que tinha pela praia fora. Incrível.

Finalmente chegamos à tão falada praia. Na preparação da nossa viagem, fomos perguntando à malta por dicas de locais, praias, restaurantes, e sem duvida que houve um enorme destaque para a Praia do Barranco. Ela foi-nos caracterizada como uma “Praia de índios”. Pelo caminho, estávamos super curiosos com este local, saímos da estrada principal e percorremos 8km em terra batida, buracos atrás de buracos , até que fizemos a última curva e … PRAIA DO BARRANCO. Que visão do outro mundo, dezenas de autocaravanas, autênticas tendas montadas, cães, gatos, crianças a jogar à bola, malta sentada no chão a tocar guitarra, a beber, a comer…e de repente ouve-se uma voz “Welcome to Barranco Beach”.

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Ali percebemos a denominação que lhe tinham atribuído. Era exactamente isso, uma tribo de índios, malta super boa onda, com o mesmo estilo de vida : VANLIFE. Ali sentimo-nos em casa, com gente que tem os mesmos gostos e hábitos que nós, que vive sem luxos, apenas chinelo no pé, água do mar, a sua caravana e são felizes assim. Ficamos com a nítida sensação que alguns já lá estavam há meses. Havia gente a dormir em tendas na praia, outros fizeram a sua própria “casa” na praia com pedras e paus (sim, estão a ler bem!), nas escarpas que abraçavam a praia, havia gente a morar, chamamos-lhe nós o “homem das cavernas” quando vimos uma fogueira num buraco a meio da falésia. Assistimos a cenas muito hardcore, desde sermos os únicos que usávamos roupa na praia, por exemplo. Se há praia onde se sente o espírito da vanlife, por todas as razões e mais alguma, é esta! Foram dois dias incríveis, de praia, surf, guitarradas, de puro “relax” com um ambiente brutal. Queríamos ter ficado mais uma noite mas não íamos preparados, não tínhamos abastecido as águas e não tínhamos comida suficiente. Não sabíamos que aquela praia ficava longe de tudo, por isso quando lá forem abasteçam-se com tudo, porque não vão conseguir ficar lá apenas uma noite!

Seguimos para Sagres, porque disseram-nos que o sunset lá era maravilhoso. E lá fomos nós cheios de expectativas, e não é que se confirmou? Brutal. Mais uma vez não estávamos sozinhos, havia imensa malta lá a assistir e foi uma momento top. Aquela zona é também muito bonita e decidimos ficar a dormir por lá.

Era hora de voltar ao plano inicial e começar a subir e percorrer as praias do Alentejo. Olhávamos para Norte e o céu estava bastante escuro, mas decidimos arriscar. A primeira paragem foi na Praia do Amado, uma praia cheia de caravanas, surfistas, uma imensidão de areal, mas estava fresco e muito vento. Ainda assim arriscamos o mergulho. Não nos ficamos muito tempo por ali porque estava mesmo desagradável. Começamos então a percorrer as praias de carro na expectativa do tempo abrir: Praia da Bordeira, Arrifana, Monte Clérigo até à Praia do Tonel na Zambujeira do Mar.

Esta foi outra das praias bastante aconselhadas, uma praia onde só se pode descer para o areal agarrados a cordas. Descobrir a praia não foi fácil, o GPS dava-nos um caminho por uma propriedade privada, depois o acesso por fora era em terra batida e cheio de buracos, mas era mesmo por ali. Sem dúvida que vale bem a pena toda a aventura, a praia é maravilhosa, mas não estávamos com sorte com o tempo alentejano.

Decidimos então dar uma última oportunidade ao Alentejo, pernoitar por lá, ver se o tempo melhorava no dia seguinte. A aplicação do telemóvel indicava-nos um spot lindo ali próximo: Farol do Cabo Sardão. Que maravilhoso, adoramos este sitio, mas tal como prevíamos de manha continuava muito nublado e nós tínhamos mais uns dias para curtir e queríamos sol e praia.

Fizemo-nos à estrada, e rumámos novamente para sul. Foi a melhor decisão que tomamos. A zona de Vila do Bispo tem praias maravilhosas e decidimos explorar. No primeiro dia fomos até à Praia da Ingrina, uma praia super pequena, com água cristalina e uma área super natural, com vegetação baixa e toda em areia,  para estacionarmos a Pingu. A vista dali para a praia era top. O sol a brilhar, que podíamos pedir mais? No dia seguinte, ultimo dia de férias, fomos até à praia ao lado, Praia do Zavial. Lá conseguimos apanhar mais umas ondas, desfrutar de mais um dia maravilhoso de praia, perfeito para nos despedirmos destas férias maravilhosas. Aconselhamos vivamente estas duas praias, muito calmas, pouca gente, água muito clara e fácil acesso.

Na manhã seguinte, a nossa disposição não era a melhor uma vez que tínhamos que ir embora. É sempre difícil regressar a casa depois das férias. Mas a disposição não melhorou, bem pelo contrário…A caminho de casa, perto de Alcácer do Sal, a Pingu mostrou que também não queria ir embora, e …AVARIOU.

Dizem que estas carrinhas têm coração e nós comprovamos isso. Ela podia ter avariado à ida e tínhamos ficado sem férias, podia ter avariado lá e tínhamos terminado as férias mais cedo. Mas ela avariou só na volta…Incrível não é? Aguentou-se até à ultima. Chamamos o reboque e lá viemos nós de táxi até Lisboa e depois alugamos um carro numa rent-a-car e rumamos a norte.

Não foi a melhor forma de terminar as férias, mas ainda assim podemos dizer que foram das melhores férias que tivemos e comprovamos que fizemos a melhor opção ao comprar a Pingu. Conseguimos ter carro, hotel e restaurante sempre connosco, fazemos os nossos próprios horários e podemos estar constantemente adaptar os nosso planos.  Afinal não é isso que todos queremos ? Sermos livres? E, para nós, a vanlife é isso mesmo: LIBERDADE.

 

Sejam felizes,

Mochileiros

Pontos de Paragem

𖤥 PRAIA DA LAGOA, Quarteira

𖤥 Praia dos Arrifes e São Rafael, Albufeira

𖤥 Praia de Benagil, Lagoa

𖤥 Praia dos 3 Irmãos e Prainha, Alvor

𖤥 Praia do Camilo, Farol da Ponta da Piedade e Praia de Porto de Mós, Lagos

𖤥 Praia do Barranco, Praia da Ingrina e Praia do Zavial,Vila do Bispo

𖤥 Sagres

𖤥 Praia do Amado e Praia da Bordeira, Carrapateira

𖤥 Praia da Arrifana e Monte Clérigo,  Aljezur

𖤥 Praia do Tonel, Zambujeira do Mar.

𖤥 Farol do Cabo Sardão, Odemira

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