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Acordámos bem cedo para aproveitarmos a manhã de praia no Ribeiro do cavalo…mas quando olhamos lá para fora…NÃAOOOO…continuava nublado. Nem queríamos acreditar que íamos desperdiçar mais um dia de sol e praia. Preparamos o pequeno almoço, ficamos a descansar mais um bocadinho na Pingu e começamos a pensar em soluções para caso o tempo não abrisse. Hummm, depois de vermos a meteorologia deparamo-nos com um cenário assustador para o litoral. Tudo nublado e escuro desde Sesimbra até ao Algarve…Pior ainda, não só para aquele dia e para o seguinte, como para os 4 dias seguintes. What? E agora? O que vamos fazer? Até que nos lembramos de ver o tempo para o interior do Alentejo. Wowww 27, 28, 29, 30 graus! Está decidido, vamos para o Alentejo, mas para que zona? Queríamos uma zona com praia fluvial para darmos uns mergulhos. Então dali de Sesimbra para o interior, mais ou menos em linha recta, com água para darmos uns mergulhos, 3h de caminho, 182 km…MONSARAZ! Soou-nos tão bem! E de repente os planos mudaram, tivemos que mudar a nossa rota e ir atrás do sol. Da costa vicentina passamos para o interior do Alentejo, da água salgada passamos para a água doce e da praia passamos para o campo. Pés ao caminho (neste caso rodas) e lá vamos nós rumo ao Alentejo profundo…

A viagem da costa para o interior é lindíssima, campos de girassóis de perder a vista, planícies carregadas de sobreiros, aquelas estradas que parecem túneis de tantas árvores que tem de ambos os lados …mas o melhor de tudo é que tínhamos a companhia do sol.

``Monsaraz``

Dirigimo-nos então à Praia fluvial de Monsaraz, um sitio bonito, calmo, com todas as comodidades, desde restaurante, wc, aluguer de sombrinhas, canoas para alugar, etc. Nós gostamos mais de sítios mais selvagens, contudo, ficamos por ali pois a vontade de um mergulho era já imensa. O tempo estava maravilhoso, nadamos, mergulhamos, apanhamos banhos de sol…sentimos que finalmente as férias de verão estavam a começar. Chegada a hora de encontrar o nosso spot para nos instalarmos, decidimos ir fazer uma caminhada pela albufeira à procura de um lugar mais isolado. Vejam lá se não encontramos um sitio incrível para ver o pôr do sol e para pernoitar?

Aqui conseguimos ficar longe de tudo, mas suficientemente próximos das comodidades da praia fluvial, pois utilizámos o wc de lá e enchemos a água para o chuveiro. No dia seguinte, decidimos então ir visitar Monsaraz. Uma vila medieval, dentro de muralhas tem umas ruas misteriosas, uma vista linda para a Barragem de Alqueva e para as planícies alentejanas. Visitar Monsaraz é… mágico!

Ficamos com vontade de conhecer mais do Alentejo, por isso seguimos para Alqueva. Visitámos a “Barragem do Alqueva”, cujo nome tem origem nesta aldeia.  Este é o maior lago artificial da Europa…que imensidão.

Já famintos e com água na boca para as iguarias alentejanas, fomos até ao centro da vila, onde fomos recebidos por um simpático alentejano que nos indicou o melhor restaurante para um pitéu. Ora, obviamente, a sua esposa era a cozinheira … Fomos muito bem recebidos, desde queijo, azeitonas, aquele pão maravilhoso, enchidos, bom vinho, não faltou nada na mesa. Para terminar, o simpático velhote fez questão que provássemos os figos que ele mesmo seca no seu quintal. Que manjar dos Deuses…Bendita a hora que tomamos a decisão de fugir daquele nevoeiro!

Próxima paragem: Mina de São Domingos. Pedimos ajuda no Instagram, sobre dicas de praias fluviais nesta zona, e sem dúvida que esta foi a mais aconselhada: Praia Fluvial da Tapada Grande. Percebemos logo porquê quando lá chegamos. Uma albufeira lindíssima, tudo muito limpo, uma praia com palhotas (Grátis), aluguer de pranchas de SUP, bar, wc (aberto 24h), e além de tudo bem frequentada : vanlifers! É verdade, tinha mais autocaravanas. Na zona evolvente, tudo muito verde, muito natural, um trilho à volta da albufeira, para fazer jogging, sentimos que tínhamos tudo ali.

Como sempre, temos a parte cultural nas nossas viagens, por isso fomos visitar a aldeia e tentar perceber a razão do seu nome. Então, Mina de São Domingos é uma aldeia no Alentejo, localizada no concelho de Mértola, distrito de Beja, onde existe uma mina já desactivada, que durante décadas foi o sustento das famílias da aldeia… Bora lá conhecer a mina. Impressionante, ainda se sente o cheiro a enxofre, e a cor das águas e as ruínas não deixam dúvida daquilo que lá existia! Estar lá, olhar à nossa volta e imaginar o que ali se passou, percorrer aqueles caminhos, perceber onde se fazia a extracção, onde se separava o minério, os locais das descargas, etc… foi ao mesmo tempo encantador e assustador! A imensidão, a cor daquela lagoa e uma placa “águas contaminadas”, deixou-nos com um frio na barriga. Percorremos a pé e de carro toda a área da mina e na nossa cabeça íamos imaginando as pessoas na sua agitação laboral. É fascinante. É incrível. Aconselhamos uma visita. Sem dúvida.

Depois destes dias pelo Alentejo, começamos a “ressacar” água salgada. Toca a consultar a meteorologia algarvia. SOLLLLLL, no Algarve estava sol. Sem dúvida que adoramos e aconselhamos o Alentejo, mas sentíamos falta do mar. Por isso logo que tivemos luz verde, avançamos em direcção a sul.

 

Sejam felizes,

Mochileiros

Pontos de Paragem

𖤥 Monsaraz, Praia Fluvial de Monsaraz

𖤥 Alqueva

𖤥 Mina de São Domingos, Praia Fluvial da Tapada grande

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